quarta-feira, 17 de junho de 2009

Racismo, crimes... De certa forma, tudo se relaciona.

Campo Mourão é mesmo uma cidade violenta. Com pouco mais de 85 mil habitantes, andar pelas ruas à noite tem se tornado perigo certo. Alguns meliantes mais abusados realizam assaltos à mão armada em plena luz do dia, com o sol de rachar mamona, como dizia minha avó. Antigamente, era óbvio que visitar os bairros mais barra pesada da cidade após o anoitecer era considerado praticamente um suícidio. Imaginem vocês, entrar na jaula do leão! Hoje em dia, até a avenida principal da cidade que, por acaso, é onde encontra-se instalada a minha humilde residência, virou sinônimo de bala perdida, sendo chamada carinhosamente pelos radialistas locais como a "faixa de Gaza" mourãoense. É, meus caros, esse mundo está mesmo louco, e o número de delitos cometidos na cidade só não aumentou mais do que o número de homicídios ocorridos na mesma.

E é sobre esse fato lamentável que eu, com pesar, posto hoje uma tirinha em homenagem à criminalidade e a discriminação racial. Exato, discriminação racial.


Acontece que, na noite de terça feira, um amigo muito querido foi assaltado em pleno centro da cidade e à uma quadra da faculdade de ciências e letras de Campo Mourão (Fecilcam, ou Fácil-cam para a maioria). O meliante - pessoa descrita como homem, negro e provavelmente pertencente à classe baixa devido às roupas maltrapilhas e à bicicleta velha e enferrujada em que se encontrava na hora do crime - de posse de uma faca, exigiu que meu amigo montasse em seu meio de locomoção. O assaltado foi levado à entrada de um dos bairros mais famosos da cidade (com relação à formação de quadrilhas, tráfico de drogas e furtos em geral) - o Lar Paraná, conhecido publicamente como "Larpão" - e foi obrigado a entregar a mochila contendo cadernos e livros, celular, dinheiro, calculadora Cassio, relatórios de estágio e cigarros recém comprados. Além disso, o meliante ainda exigiu que meu amigo entregasse a blusa que estava usando (aquele frio desgraçado que fez na terça à noite!), e foi deixado à esmo no meio da rodovia BR 487.


E agora entra a questão da discriminação racial. Não é que eu seja uma pessoa racista, longe de mim!, mas tinha que ser...!

Um comentário:

Gabi Soutto Mayor disse...

Realmente, é assustador como anda crescendo o numero de delitos nas mais pacatas cidades. Moro em Belo Horizonte e por ser uma capital, ainda a considero muito tranquila, mas já não se sai tão tranquilo nas ruas a noite, nem mesmo nos bairros mais movimentados, ou mais seguros... Não estamos seguros muitas vezes nem dentro de casa! onde esse mundo vai parar... agora voltando para a questao de racismo... Muitas vezes presenciamos situações chamadas "auto-preconceito"... eu sou totalmente contra cotas em faculdades para negros. Quer dizer que agora cor da pele serve como abono de mensalidade? E o pior nao é existir as tais cotas... o pior são os negros, pardos, amarelos, azuis, verdes ou qualquer que seja cor, aceitar as mesmas. É submeter-se à pendurar uma placa no pescoço dizendo: Eu sou pior do que aquele ali.
Mas enfim...Ainda há MUITO o que melhorar no Brasil, e com certeza [infelizmente]não será tão rapido quanto devia...

Gostei do Blog... vou sempre dar uma passadinha! ;D